A montagem industrial, montagem eletromecânica ou simplesmente “montagem”, tem aplicação em todos os tipos de instalações industriais, não somente na implantação de novas unidades, mas também na ampliação, reforma e manutenção das já existents. Ela está, dessa forma, sempre presente nos diversos setores da indústria - siderurgia, petróleo, petroquímica, gás, telecomunicações, mineração, energia elétrica, energia atômica e fabricação em geral.
Abrangendo tão extensa e variada gama de atividades, a montagem industrial assume grande relevância no setor de serviços de engenharia, empregando expressivo efetivo de gerentes de projeto, engenheiros, técnicos e mão-de-obra especializada em geral. Segundo a ABEMI - Associação Brasileira de Engenharia Industrial - que congrega mais de cem empresas de engenharia, a mão-de-obra no setor chegou a ultrapassar 280 mil empregados na década de 80, com receita anual acima de 14 bilhões de dólares.
Por essa razão, não podemos deixar de lamentar que esta atividade não tenha merecido, até o momento, um capítulo especial nos currículos de nossos cursos de engenharia - apenas umas poucas faculdades incluem cadeiras relativas à montagem. Em compensação, é gratificante saber que a UFF - Universidade Federal Fluminense - vem ministrando, desde 2002, um curso de Montagens Industriais, em nível de pós-graduação.
Foi-nos dado experimentar, pessoalmente, as conseqüências desta lacuna. Depois de alguns anos de trabalho em atividades de produção fabril, tivemos a oportunidade de participar, pela primeira vez, em 1974, de uma obra de grande porte, na qualidade de responsável pela complexa montagem dos Sopradores do Alto-Forno 3 da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional). Só então nos foi possível tomar consciência dos problemas da montagem. E foram necessários muitos esforços e dedicação para podermos levar ao bom termo aquele empreendimento.
Se nos vinte anos seguintes, totalmente dedicados à montagem, pudemos adquirir alguma experiência no ramo, por outro lado estivemos sempre conscientes de que muito ainda teríamos por aprender. Cada nova obra oferecia situações diversas e grandes desafios.
Em especial sentimos, desde o início, grande dificuldade para obtenção de literatura técnica sobre o assunto montagem, em português ou em outras línguas. Constatamos que algumas empresas, em função dessa deficiência, desenvolvem documentação própria a respeito, mas em geral não costumam divulgá-la. Além das normas técnicas brasileiras, americanas e européias, somente aquelas próprias de grandes empresas, como Petrobras, CSN, CST, etc., bem como os catálogos dos fabricantes de equipamentos, fornecem as instruções indispensáveis à montagem, sendo estas, no entanto, restritas aos seus produtos.
Nas livrarias, encontram-se alguns excelentes livros sobre assuntos como tubulações, estruturas metálicas e instalações elétricas; mas que são, em geral, mais voltados para o seu projeto e fabricação, sem abordar especificamente a montagem, ou fazendo-o de forma sumária (exceção para o excelente “Tubulações Industriais” de Pedro C. S. Telles, constante de nossa bibliografia).Em face deste problema, entendemos que poderia ser útil empreendermos, com base em documentos coligidos durante mais de 20 anos de experiência na área, um roteiro básico para condução de serviços de montagem.Fique claro, no entanto, que abordaremos apenas os fundamentos da montagem, enumerando procedimentos rotineiros, sempre presentes nos projetos industriais em geral.
Estudos específicos sobre montagens especiais, ligadas a determinados setores, como os de petróleo (refinarias, tanques, oleodutos, gasodutos, plataformas marítimas), siderúrgicos (alto-fornos, linhas de laminação, aciarias), de energia (termelétricas, subestações, usinas atômicas), de telecomunicações, etc. vêm sendo ou serão, sem dúvida, desenvolvidos por técnicos categorizados e experientes em cada um destes ramos. Estamos confiantes em que este trabalho poderá vir a interessar não somente aos professores e estudantes das Escolas de Engenharia e Cursos Técnicos, mas também a todos os profissionais e empresas que se iniciam ou convivem com os trabalhos de montagem industrial.
Plano de trabalho
A montagem corresponde à etapa final de qualquer programa de implantação, ampliação ou reforma de uma instalação industrial. Para que possa ser iniciada e implementada, é indispensável que as fases que a precedem, de estudos de viabilidade, projeto, suprimento e construção civil, estejam concluídas ou, pelo menos, suficientemente avançadas.
Acreditamos que o requisito principal para engenheiros e técnicos de montagem não seja propriamente o de possuírem uma grande experiência como projetistas. Eles deverão estar capacitados, no entanto, a interpretar os desenhos e especificações que compõe o projeto, com a finalidade de poderem bem planejar, dirigir e supervisionar as obras.
Uma premissa irá, então, nortear nosso plano de trabalho: focalizar os assuntos que possam interessar especificamente ao montador, não ao projetista. Sem esquecer, no entanto, que em certas situações o montador será compelido a conceber, no campo, alterações de projeto, devido a imprecisões e omissões, ou mesmo à impossibilidade de uma prévia definição.
Abordaremos, com maior ênfase, as cinco modalidades básicas da Montagem: Estruturas Metálicas, Mecânica, Tubulação, Elétrica e Instrumentação. Enfocaremos ainda algumas técnicas sempre presentes em montagem, como o transporte e levantamento de cargas, a soldagem, a pintura e os revestimentos térmicos e refratários, além de noções sobre instalação de canteiros de obra e segurança do trabalho. Finalmente, alguns itens do maior interesse para qualquer tipo de obra, quais sejam: Planejamento, Programação e Controle de Obras, de Qualidade e de Custos.
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